Como desenvolver um plano de coleta seletiva?

A coleta seletiva é um sistema de recolhimento de resíduos que já foram previamente separados no estabelecimento, de acordo com a sua constituição ou composição. Cada tipo de resíduo tem um tipo de destinação diferente e uma forma de ser tratado antes de ser levado para os responsáveis. Para que este sistema seja implantado, é necessário realizar algumas ações dentro do negócio.

Para isso, te daremos dicas para a implantação do sistema. Este deve conter as atividades que serão realizadas, os prazos, responsáveis, recursos necessários, mecanismos de monitoramento e revisões periódicas.

Dicas para implementação do plano

1- Definir responsabilidades

Todos são responsáveis pela gestão dos resíduos, tanto colaboradores quanto clientes. Porém é necessário nomear líderes que irão orientar os demais na comunicação, coleta, educação, formas de armazenamento dos resíduos e destinação. Definir quem são as pessoas que irão desenvolver o projeto e treinar os envolvidos.

2- Busque alternativas para a destinação

As alternativas de destinação devem ser pesquisadas junto a prefeituras, cooperativas de catadores, instituições sociais e órgãos ambientais. Lembre-se de que o destino mais interessante é aquele que permite seu máximo reaproveitamento, mantendo sempre a segurança humana e ambiental. Por isso todos os receptores e transportadores devem ser avaliados, licenciados (se a legislação exigir) e monitorados.

3- Analisar a quantidade, os tipos e o caminho dos resíduos que serão descartados

Para clarear e organizar o caminho que cada resíduo irá tomar, sugere-se o desenvolvimento de um fluxograma mostrando os processos que cada resíduo deverá passar.

Para mapear os processos é necessário responder algumas perguntas:

  • Quais são os materiais a serem gerenciados (tambores, latões, alimentos, copos, canudos, etc)?
  • Quais as quantidades produzidas?
  • Quantas pessoas fazem a coleta? Quem são os responsáveis?
  • Como funciona a rotina de limpeza? Qual o horário e frequência?
  • Qual o passo a passo cada responsável deve seguir?

4- Instalações e materiais

A instalação deve estar adequada para haja um gerenciamento eficaz. Local de armazenamento deve ser apropriado de forma que os resíduos fiquem em locais cobertos, fechados, ventilados, com piso cerâmico e de fácil lavagem. Lembre-se de consultar normas estaduais e municipais para recomendações estruturais.

Não só a estrutura do local deve estar correto, é necessário verificar:

  • Se as lixeiras são ideais e identificadas para cada tipo de resíduo;
  • Se há balanças para pesar os resíduos;
  • Se os baldes da lixeira não forem removíveis, é indicado a utilização de sacos plásticos de cores diferentes para cada lixeira, facilitando o trabalho da equipe de limpeza. Como exemplo: azul para recicláveis; preto para rejeito e verde para compostáveis.

5- Treinamento

Realizar treinamentos e palestras dinâmicas, além de colocar placas informativas em locais estratégicos é de extrema importância para que todos sintam parte desta ação. O treinamento deve ser feito ao implantar o sistema, para novos colaboradores e sempre que for verificado irregularidades e necessidade de reciclar conhecimentos.

Hora de treinar:

  • Chame toda a equipe para refletir e debater sobre o consumo e desperdícios;
  • Desenvolva apresentação com fotos e dados reais sobre o assunto;
  • Fale de forma clara e simples para que todos entendam;
  • Realize dinâmicas quebra-gelo e que ajudem a fixar as informações;
  • Mostre na prática como funcionará.

6- Monitoramento

Sugere-se também realizar um diagnóstico, através de um checklist, das ações e estruturas para o descarte, coleta, armazenamento e destinação. Assim será possível verificar o andamento e fazer correções, em caso de irregularidades.

Com a avaliação é possível verificar se há descartes excessivos e desenvolver formas para reduzir desperdícios e custos. Por isso, é importante determinar os intervalos em que será aplicado o checklist.

Tipos de resíduos e sua destinação

Reciclagem

Para a reciclagem pode-se destinar: embalagens e produtos de papel, papelão, plásticos, metais, vidros e óleo de cozinha. O Isopor também pode ser reciclado, porém não possui um valor econômico viável devido à sua densidade.

DICA

  • Apoie a inclusão social e doe os recicláveis para cooperativas ou associações de catadores, em vez de vendê-los;
  • Vá até os galpões de triagem para saber como funcionam e se não existe nenhuma irregularidade;

Compostagem

É o conjunto de técnicas aplicadas para estimular a decomposição de materiais orgânicos que tem por objetivo produzir um composto que desenvolve nutriente para a terra; aumenta a capacidade de reter água, permitindo o controle da erosão; e evita o uso de adubo químico.

Os resíduos podem ser tratados pela própria empresa, se preparada para tal ou enviado a um sistema público ou operado por uma empresa contratada.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos tem impulsionado a prática aqui no Brasil. Busque empresas licenciadas para esta atividade em sua região e solicite a relação detalhada dos tipos de resíduos aceitos, pois não são todos os resíduos que podem ir para a compostagem.

Tratamento de resíduos perigosos

Dentre os resíduos perigosos estão as lâmpadas fluorescentes, pilhas, baterias e outros resíduos tóxicos (sobras de tintas e equipamentos eletrônicos). Estes não devem ser doados ou vendidos, e sim tratados em empresas licenciadas.

DICA

  • Fique atento aos riscos e a legislação ambiental vigente em relação ao armazenamento temporário e transporte desses resíduos. ​​​​​​
  • Acompanhe os avanços da legislação e sua regulamentação, que determinarão uma nova logística para a coleta e destinação desses resíduos.
  • Reduza o uso de substâncias tóxicas. Lâmpadas fluorescentes podem ser substituídas por LED e pilhas descartáveis, por baterias recarregáveis. Mesmo que tóxicas, são mais duráveis, diminuindo a volume de descarte.

Disposição final do rejeito

O rejeito são resíduos não perigosos, mas que não podem ser enviados para a compostagem, reutilização ou reciclagem. Embalagens e utensílios de isopor, tecido, borracha, louça, madeira, embalagens e utensílios de materiais compostos (como laminados), resíduos sanitários e embalagens muito sujas, são exemplos de rejeitos. Recomenda-se seu aterramento por meio do serviço municipal de coleta e sua orientação.

Conclusão

O plano deve ser desenvolvido com atenção e sempre verificando as legislações. Cada empresa deve elaborar o seu próprio plano, pois cada uma possui uma realidade e rotina diferente. Assim, garante-se uma aplicação correta, otimizando recursos e tempo.

Referências bliográficas

Departamento Nacional. Guia de gestão de resíduos nos restaurantes do Sesc : atividade nutrição [recurso eletrônico]/Sesc, Departamento Nacional. Rio de Janeiro: Sesc, Departamento Nacional, 2015. 2ª Edição.

VG Resíduos. Como Implantar um Projeto de Coleta Seletiva Eficiente nas empresas. Disponível em:

<https://www.vgresiduos.com.br/blog/implantar-coleta-seletiva-eficiente-nas-empresas/>

Acesso: 29 julho de 2019